O que havia na caixa de Pondora? Dizem uns que, quando aberta, liberou todos os males, exceto a esperança. Dizem outros que deixou escapar todas as coisas boas do mundo, exceto a esperança. De todo modo, não havia o que esperar para a humanidade.
Ao que parece, ontem, no Reino Unido, a caixa foi novamente aberta. Pasmos, globalistas à direita e à esquerda sentiram um duro golpe no projeto de mundo aberto, sejam quais forem suas bases políticas e econômicas.
A esquerda, com seu projeto de construir uma humanidade solidária, baseada em valores de liberdade para além do sentido burguês, que a vê como capacidade de cada sujeito acumular recursos, via numa Europa unificada, o índicio de que seres humanos, ferozes uns com os outros, seriam capazes de coexistir sem o estado de violência permanente, marca registrada daquele continente. Seria um bom começo para a humanidade.
A direia, de olho estalado, olha seu projeto político, de um mundo econômico sem fronteiras, ser amplamente questionado. Que Ironia!!!! O discurso da soberania nacional renasce bem onde floresceu o novo liberalismo! Renasce, obvimente, com motivações amplamente questionáveis.
O que sairá da caixa desta vez? Restou alguns dos males no fundo dela? O nacionalismo já não havia causado tamanhas desgraças à humanidade, desde o séc. XIX? Ou ele agora saiu como bondade, resignando-se de todas as suas atrocidades?
Talvez o movimento visto ontem seja apenas um espasmo daqueles que procuram no passado, em situações paroquiais, protecão dos medos e da insegurança que o encontro com o diferente traz. Talvez, mas não é certo. A única coisa certa, hoje, é a incerteza. Saiu alegre e faceira da caixa, deixando o mundo na incredulidade, onde a única coisa a se esperar é a própria esperança.
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